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Dra. Taciana Bretas CRM: 61889/MG RQE Nº: 49052 - Oftalmologista | Especialista em Cirurgia Plástica Ocular;

Mitos e verdades sobre a carnosidade no olho: indicações para a remoção de pterígio

Índice

Você já reparou naquela carnosidade no olho que parece crescer devagar em direção ao canto interno e, com o tempo, começa a incomodar com vermelhidão, ardência e sensação de areia? Muitas pessoas convivem por anos com essa mancha carnosa sobre a parte branca dos olhos, sem saber se ela é perigosa, se pode virar câncer ou se precisa mesmo de cirurgia. Em torno da remoção de pterígio circulam muitos mitos, e é justamente essa confusão que faz com que uns procurem tratamento tarde demais e outros se assustem sem necessidade.

Neste artigo, quero conversar com você sobre o que é verdade e o que é lenda a respeito dessa carnosidade, quando ela realmente exige atenção e quando podemos apenas acompanhar. O olho é uma estrutura nobre, e qualquer decisão sobre operar ou não deve nascer de uma avaliação oftalmológica cuidadosa, e não do medo ou da estética isolada.

O que é o pterígio e por que ele forma essa carnosidade no olho?

O pterígio é um crescimento anormal da conjuntiva, aquela membrana fina e transparente que recobre a parte branca do olho, chamada esclera. Nesse processo, o tecido conjuntival se torna mais espesso, ganha vasos sanguíneos e avança em direção à córnea, a lente transparente que fica na frente da íris. É esse avanço que forma a carnosidade visível, geralmente em forma triangular, que costuma partir do canto interno do olho, próximo ao nariz.

Do ponto de vista científico, o pterígio é considerado uma alteração degenerativa e proliferativa. Em outras palavras, há tanto um envelhecimento precoce do tecido quanto uma multiplicação de células que não deveria acontecer naquele local. A radiação ultravioleta do sol é o principal fator ligado ao seu surgimento, o que explica por que ele é tão comum em quem passa muitas horas em ambientes abertos, expostos à claridade, ao vento e à poeira.

É importante diferenciar o pterígio de uma condição parecida, chamada pinguécula. A pinguécula é um depósito amarelado que se forma ao lado da córnea, mas que não invade essa estrutura. Já o pterígio tem essa característica de avançar sobre a córnea, e é exatamente esse comportamento que pode, em alguns casos, comprometer a visão.

Carnosidade no olho é sinal de câncer? Mito ou verdade?

Essa é uma das maiores angústias de quem chega ao consultório com uma carnosidade no olho. A boa notícia é que, na imensa maioria dos casos, o pterígio é uma lesão benigna. Ele não é um câncer e não costuma se transformar em um tumor maligno de forma comum. Portanto, o medo automático de que toda carnosidade seja câncer é, felizmente, um mito.

No entanto, existe uma parte de verdade que não pode ser ignorada. Nem toda lesão avermelhada ou carnosa sobre o olho é um pterígio. Algumas lesões da superfície ocular podem ter aparência semelhante, mas comportamento diferente, incluindo lesões pré-malignas e, mais raramente, malignas. Por isso, a avaliação de um oftalmologista é insubstituível. É o exame na lâmpada de fenda, um microscópio próprio para os olhos, que permite observar detalhes da lesão, avaliar seus vasos, seus limites e sua espessura.

Quando uma carnosidade tem crescimento muito rápido, aspecto irregular, coloração diferente do habitual ou não responde como o esperado, torno o acompanhamento mais próximo e, em casos selecionados, encaminho o material retirado para análise anatomopatológica. Essa conduta ética garante que aquilo que parece um simples pterígio seja, de fato, um pterígio, e não outra coisa disfarçada.

Todo pterígio precisa de cirurgia? Entenda as indicações para a remoção

Aqui mora um dos mitos mais frequentes: a ideia de que, ao surgir a carnosidade, a cirurgia é sempre inevitável e urgente. Isso não é verdade. Muitos pterígios pequenos, estáveis e pouco sintomáticos podem ser apenas acompanhados, com medidas de proteção e controle da irritação. Operar por operar não é uma conduta responsável.

As principais indicações para a remoção de pterígio, com base nas diretrizes de oftalmologia e cirurgia da superfície ocular, incluem:

  • Ameaça ao eixo visual: quando a carnosidade avança sobre a córnea e se aproxima ou atinge o centro da visão, comprometendo a nitidez das imagens.
  • Astigmatismo induzido: o pterígio, ao tracionar a córnea, pode deformar sua curvatura e gerar astigmatismo, prejudicando a qualidade da visão mesmo antes de chegar ao centro.
  • Sintomas persistentes: vermelhidão frequente, ardência, sensação de corpo estranho e olho seco que não melhoram com tratamento clínico.
  • Limitação dos movimentos oculares: em casos mais avançados, o tecido pode restringir a movimentação do olho e causar visão dupla.
  • Motivação estética legítima: quando a carnosidade incomoda de forma importante a autoestima, a cirurgia pode ser considerada, sempre após avaliação criteriosa e alinhamento de expectativas.

Perceba que, mesmo diante da estética, a decisão precisa passar por uma análise da saúde ocular como um todo. Não se trata de um capricho técnico, e sim de proteger a córnea, a visão e o conforto do paciente a longo prazo.

A carnosidade no olho volta a crescer depois da cirurgia?

Essa é uma verdade que merece explicação cuidadosa. O pterígio tem, sim, potencial de recidiva, ou seja, pode voltar a crescer após a remoção. Esse é um dos motivos pelos quais a técnica cirúrgica escolhida faz enorme diferença no resultado.

Antigamente, quando se retirava apenas a carnosidade e se deixava a área exposta, as taxas de recidiva eram elevadas. Com a evolução da cirurgia da superfície ocular, passou-se a utilizar técnicas de recobrimento da região operada, sendo o transplante de conjuntiva autóloga uma das abordagens mais consagradas. Nessa técnica, um pequeno enxerto da própria conjuntiva do paciente é usado para cobrir a área de onde o pterígio foi retirado, reduzindo de forma significativa a chance de retorno da lesão.

Ainda assim, nenhuma técnica elimina totalmente o risco de recidiva, e prometer isso seria desonesto. O que posso garantir é a escolha criteriosa da abordagem mais adequada para cada caso, o cuidado com a superfície ocular e a orientação clara sobre proteção solar no pós-operatório, fator determinante para evitar o recrescimento.

Quais sintomas a carnosidade pode causar antes de indicar cirurgia?

Muita gente acredita que o pterígio só incomoda quando está muito grande. Na prática, mesmo lesões menores podem gerar desconforto relevante, porque alteram o equilíbrio da lágrima sobre a superfície do olho. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Sensação de areia ou corpo estranho no olho.
  • Ardência e vermelhidão, principalmente após exposição ao sol, vento ou telas.
  • Olho seco ou, paradoxalmente, lacrimejamento reflexo.
  • Coceira e irritação frequentes.
  • Visão embaçada quando há astigmatismo associado.

Nesses casos, antes de qualquer indicação cirúrgica, é fundamental investigar e tratar o olho seco e a irritação da superfície ocular. Muitas vezes, o controle clínico melhora bastante os sintomas e permite acompanhar a lesão com tranquilidade. A cirurgia entra em cena quando o incômodo persiste ou quando há risco para a visão, e não como primeira resposta a qualquer ardência.

Como é feita a remoção de pterígio e a recuperação?

A cirurgia de remoção de pterígio é realizada, na maioria dos casos, com anestesia local e sedação, em ambiente cirúrgico adequado. O procedimento consiste em retirar cuidadosamente o tecido anormal da superfície da córnea e da esclera, restaurando a transparência e a regularidade da região. Em seguida, quando indicado, realiza-se o recobrimento com o enxerto de conjuntiva do próprio paciente.

No pós-operatório, é comum haver vermelhidão, sensação de corpo estranho e lacrimejamento nos primeiros dias, sintomas que tendem a melhorar progressivamente. A recuperação exige repouso relativo, cuidados de higiene ocular, uso das medicações prescritas em consulta e, sobretudo, proteção rigorosa contra a luz solar. Óculos escuros com proteção ultravioleta deixam de ser um detalhe e passam a ser parte do tratamento.

Cada organismo cicatriza de uma forma, e o acompanhamento próximo nas semanas seguintes é o que permite ajustar condutas, identificar precocemente qualquer sinal de recidiva e assegurar o melhor resultado possível, tanto do ponto de vista funcional quanto estético.

É possível prevenir o pterígio e evitar o seu crescimento?

Prevenir totalmente talvez não seja possível, mas reduzir o risco e desacelerar o crescimento é, sim, uma verdade amparada pela ciência. Como a radiação ultravioleta é o principal fator associado ao pterígio, a proteção solar dos olhos é a medida mais importante. Isso inclui:

  • Uso de óculos de sol com filtro ultravioleta, de boa qualidade e com boa cobertura lateral.
  • Uso de chapéus ou bonés em atividades ao ar livre.
  • Cuidados com ambientes secos, com vento e poeira, que agravam a irritação.
  • Controle e tratamento do olho seco, mantendo a superfície ocular bem lubrificada.

Essas medidas valem tanto para quem ainda não tem pterígio quanto para quem já convive com a carnosidade e deseja evitar sua progressão, além de serem essenciais para quem já operou e quer prevenir o retorno da lesão.

Por que a avaliação oftalmológica completa é indispensável nesse caso?

Um ponto que faço questão de reforçar é que a carnosidade no olho nunca deve ser avaliada de forma isolada. Quando um paciente chega com essa queixa, aproveito a consulta para examinar o olho por inteiro. Realizo refração, biomicroscopia da parte anterior e do fundo do olho, tonometria e mapeamento de retina, porque uma lesão de superfície pode conviver com outras condições silenciosas, como catarata, glaucoma, alterações da retina e olho seco importante.

Essa visão integral é o que diferencia uma conduta responsável de uma abordagem apressada. Não faz sentido tratar apenas a carnosidade e ignorar a saúde geral dos olhos. A decisão de operar, acompanhar ou tratar clinicamente nasce desse conjunto de informações, sempre compartilhada com o paciente, de forma didática e transparente, muitas vezes com o apoio de imagens do próprio exame para que ele compreenda o que está acontecendo com os seus olhos.

Recebo, com frequência, pacientes encaminhados por colegas oftalmologistas de todo o estado para avaliação de lesões da superfície ocular e de casos que exigem técnica cirúrgica mais refinada. Nesses casos, mantenho o médico assistente informado sobre a proposta de tratamento, preservando o vínculo e a continuidade do cuidado.

Por que confiar neste conteúdo?

Este artigo foi elaborado com base em fontes científicas reconhecidas em oftalmologia e cirurgia da superfície ocular, entre elas:

  • Diretrizes do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).
  • Orientações da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO) e da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO).
  • Recomendações da American Academy of Ophthalmology (AAO).
  • Estudos e revisões publicados em periódicos indexados na base PUBMED.

O conteúdo foi revisado por mim, Dra. Taciana Bretas (CRM: 61889/MG RQE Nº: 49052), oftalmologista formada pela UFMG, com fellowship em Cirurgia Plástica Ocular pelo Instituto de Olhos da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais e preceptora do departamento de Plástica Ocular desde 2018, garantindo rigor científico e foco na sua saúde ocular.

Perguntas frequentes sobre a remoção de pterígio

O pterígio pode causar cegueira? De forma isolada, o pterígio raramente leva à cegueira, mas, quando avança sobre o centro da córnea ou provoca astigmatismo importante, pode comprometer significativamente a visão. Por isso, o acompanhamento é fundamental.

Dá para tratar o pterígio só com colírio? O tratamento clínico ajuda a controlar sintomas como irritação e olho seco, mas não faz a carnosidade desaparecer. A remoção do tecido só é possível por meio de cirurgia, indicada em casos específicos.

A cirurgia de pterígio dói? O procedimento é realizado com anestesia adequada, e o desconforto maior costuma ocorrer nos primeiros dias de pós-operatório, com vermelhidão e sensação de corpo estranho, que tendem a melhorar progressivamente.

Depois de operar, posso tomar sol normalmente? A proteção solar é parte essencial do tratamento e da prevenção de recidiva. O uso de óculos com filtro ultravioleta e a redução da exposição direta ao sol devem ser mantidos de forma contínua.

Quanto tempo leva a recuperação? Os primeiros dias exigem mais cuidados e repouso relativo, mas a recuperação varia de pessoa para pessoa. O acompanhamento nas semanas seguintes é o que assegura a melhor cicatrização e resultado.

Conclusão: cuide da carnosidade com informação e segurança

A carnosidade no olho não precisa ser motivo de pânico, mas também não deve ser ignorada. Entre mitos e verdades, o que permanece é a importância de uma avaliação oftalmológica completa, que enxergue não apenas a lesão, mas a saúde integral dos seus olhos. A remoção de pterígio tem indicações claras e técnicas modernas que reduzem a recidiva, sempre com respeito à naturalidade e ao bem-estar do paciente.

Se você percebe uma carnosidade crescendo, sente irritação frequente ou está em dúvida sobre a necessidade de tratamento, agende uma avaliação presencial no meu consultório, na região dos Funcionários, em Belo Horizonte. Para quem reside no interior de Minas Gerais, também é possível iniciar a conversa e o planejamento à distância, com a avaliação presencial realizada antes de qualquer procedimento. Cuidar dos seus olhos com informação e ética é o primeiro passo para uma decisão segura.

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