Compartilhe:
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Dra. Taciana Bretas CRM: 61889/MG RQE Nº: 49052 - Oftalmologista | Especialista em Cirurgia Plástica Ocular;

Remoção de pterígio com segurança e a saúde da sua visão preservada

Índice

Você sente aquela sensação de areia nos olhos, uma vermelhidão que não passa e percebe uma pequena membrana avançando sobre o branco do olho em direção à parte colorida? A remoção de pterígio é uma das cirurgias oculares mais procuradas por quem convive com esse incômodo diário, mas a decisão de operar não deveria se basear apenas na aparência. Por trás desse pequeno tecido que cresce sobre a superfície ocular, existe uma estrutura nobre que protege e nutre a sua visão, e é justamente por isso que a escolha da técnica cirúrgica e a avaliação completa dos seus olhos fazem toda a diferença no resultado final.

Compreendo a hesitação de quem já pesquisou sobre o assunto e ouviu histórias de pessoas que operaram e viram o pterígio voltar meses depois. Esse receio é legítimo e revela uma verdade importante: nem toda cirurgia de pterígio é igual. A forma como o tecido é removido, o cuidado com a superfície ocular e o método de reconstrução determinam a segurança do procedimento e a chance de recidiva. Neste artigo, quero apresentar de maneira clara e acolhedora tudo o que você precisa saber para tomar uma decisão consciente sobre a saúde dos seus olhos.

O que é o pterígio e por que ele cresce sobre o olho?

O pterígio é um crescimento de tecido fibrovascular que se origina na conjuntiva, a membrana transparente que reveste a parte branca do olho, e avança sobre a córnea, a estrutura transparente que fica sobre a íris. Ele costuma ter formato triangular e, na maioria das vezes, surge no canto interno do olho, mais próximo do nariz, embora possa aparecer também no canto externo.

Segundo publicações da American Academy of Ophthalmology, o principal fator associado ao desenvolvimento do pterígio é a exposição crônica à radiação ultravioleta do sol. Por esse motivo, ele é mais frequente em pessoas que passam muitas horas ao ar livre, em regiões de clima quente e com alta incidência solar. O vento, a poeira e o ressecamento ocular também contribuem para o surgimento e o crescimento dessa lesão.

É importante diferenciar o pterígio da pinguécula, que é uma lesão amarelada semelhante, porém restrita à conjuntiva e que não invade a córnea. A pinguécula raramente exige cirurgia, enquanto o pterígio, ao avançar sobre a córnea, pode comprometer a visão e demandar tratamento cirúrgico. Essa distinção só pode ser feita com precisão em uma avaliação com a lâmpada de fenda, o equipamento que permite examinar a superfície ocular em detalhes.

Quando a cirurgia de remoção de pterígio é realmente indicada?

Nem todo pterígio precisa ser operado. Muitas pessoas convivem por anos com uma lesão pequena e estável, controlando os sintomas de ressecamento e irritação com lubrificação ocular e proteção contra o sol. A indicação cirúrgica surge quando há critérios funcionais, estéticos ou de progressão que justificam a intervenção.

Do ponto de vista funcional, a cirurgia é indicada quando o pterígio avança em direção ao centro da córnea e ameaça atingir o eixo visual, quando induz astigmatismo significativo por deformar a curvatura corneana e prejudicar a nitidez da visão, ou quando provoca sintomas de irritação intensos e recorrentes que não respondem ao tratamento clínico. Em casos mais avançados, o pterígio pode até limitar os movimentos oculares.

Existe ainda a indicação estética, absolutamente legítima, de quem se incomoda com a vermelhidão persistente e com a alteração visível da aparência do olho. Nesses casos, avalio cuidadosamente cada situação, pois a mesma técnica que garante segurança funcional também favorece um resultado esteticamente harmônico da superfície ocular. A decisão de operar é sempre compartilhada, baseada no seu incômodo real e no exame oftalmológico completo.

Por que a avaliação oftalmológica completa é essencial antes da cirurgia?

Uma cirurgia na superfície ocular jamais deveria ser planejada isoladamente, olhando apenas para o tecido a ser removido. A pálpebra, a conjuntiva e a córnea fazem parte de um sistema integrado de proteção e nutrição do olho, e qualquer intervenção nesse conjunto precisa considerar a saúde ocular como um todo.

Por isso, na primeira consulta, realizo uma avaliação oftalmológica detalhada, que inclui refração para medir o seu grau, biomicroscopia anterior para examinar a superfície ocular na lâmpada de fenda, tonometria para medir a pressão dos olhos, biomicroscopia de fundo e mapeamento de retina. Essa investigação permite identificar condições associadas, como olho seco, alterações de córnea, catarata inicial, glaucoma ou doenças da retina, que podem influenciar o planejamento cirúrgico e a recuperação.

O olho seco merece atenção especial nesse contexto. Muitos pacientes com pterígio apresentam algum grau de instabilidade do filme lacrimal, e o tratamento adequado dessa condição antes e depois da cirurgia é fundamental para o conforto e para a boa cicatrização. Avaliar o olhar em sua totalidade não é um passo burocrático: é a base ética de qualquer indicação cirúrgica responsável.

Como é feita a cirurgia de remoção de pterígio com transplante de conjuntiva?

A técnica cirúrgica é o fator mais determinante para o sucesso da remoção do pterígio, especialmente no que diz respeito à prevenção da recidiva. As diretrizes da American Academy of Ophthalmology e os trabalhos publicados em periódicos especializados são consistentes ao demonstrar que a simples excisão do tecido, deixando a área exposta, apresenta taxas de recidiva elevadas e deve ser evitada.

A abordagem atualmente considerada padrão de qualidade é a excisão do pterígio associada ao transplante autólogo de conjuntiva. Nessa técnica, após a remoção cuidadosa do tecido fibrovascular, um pequeno enxerto de conjuntiva saudável, retirado do próprio olho do paciente, é posicionado sobre a área operada. Esse enxerto pode ser fixado com pontos delicados ou com adesivos biológicos, reduzindo de forma expressiva a chance de o pterígio retornar.

O transplante de conjuntiva cria uma barreira natural que impede o recrescimento do tecido anormal e favorece uma cicatrização mais organizada e esteticamente favorável. Por utilizar tecido do próprio paciente, não há risco de rejeição. A precisão na dissecção, o respeito às estruturas nobres da córnea e o manejo cuidadoso do enxerto são detalhes técnicos que diferenciam um resultado seguro e duradouro de uma cirurgia com maior risco de complicações.

A cirurgia de pterígio dói? Como é a recuperação?

Essa é uma das perguntas mais frequentes no consultório, e a resposta costuma tranquilizar bastante os pacientes. A cirurgia de remoção de pterígio é realizada com anestesia local, o que significa que o olho é completamente anestesiado durante o procedimento. Você não sente dor durante a cirurgia, apenas a percepção de que algo está sendo feito, sem desconforto significativo.

No pós-operatório imediato, é comum haver uma sensação de corpo estranho, como se houvesse um cílio no olho, além de lacrimejamento, sensibilidade à luz e vermelhidão. Esses sintomas são esperados e refletem o processo natural de cicatrização da superfície ocular. Eles tendem a melhorar progressivamente ao longo dos primeiros dias, com o uso das medicações prescritas individualmente e os cuidados orientados.

A recuperação exige alguns cuidados importantes: evitar coçar ou esfregar os olhos, proteger-se da exposição solar com óculos de sol e chapéu, manter a lubrificação ocular conforme orientação e comparecer às consultas de acompanhamento. A vermelhidão do local do enxerto pode persistir por algumas semanas antes de clarear completamente. Cada paciente cicatriza em seu próprio ritmo, e é por isso que ofereço acompanhamento próximo em todas as etapas, com contato direto para esclarecer dúvidas ao longo da recuperação.

O pterígio pode voltar depois da cirurgia?

Sim, o pterígio pode recidivar, e essa é uma preocupação legítima que precisa ser abordada com honestidade. A recidiva é, na verdade, o principal desafio dessa cirurgia. No entanto, a probabilidade de retorno está diretamente relacionada à técnica utilizada e aos cuidados pós-operatórios.

A literatura científica demonstra que a excisão simples, sem reconstrução com enxerto, apresenta taxas de recidiva significativamente mais altas em comparação à técnica com transplante de conjuntiva. Ao empregar o enxerto autólogo, a chance de recorrência diminui de forma considerável, tornando a cirurgia muito mais segura e previsível.

Além da técnica, a proteção contra a radiação ultravioleta após a cirurgia é decisiva para prevenir o recrescimento. O uso consistente de óculos de sol com proteção adequada, especialmente em quem se expõe frequentemente ao sol, é uma medida simples e eficaz. Não posso prometer que o pterígio jamais retornará, pois cada organismo responde de maneira individual, mas posso garantir que a escolha da técnica correta e a adesão aos cuidados reduzem esse risco de maneira expressiva.

O pterígio pode afetar a visão de forma permanente?

Quando não tratado, o pterígio em crescimento pode comprometer a visão de diferentes maneiras. Ao alterar a curvatura da córnea, ele induz astigmatismo, que causa embaçamento e distorção das imagens. Se o tecido avança até atingir o eixo visual central, ele passa a obstruir fisicamente a passagem da luz, reduzindo a acuidade visual de forma mais grave.

Em casos negligenciados por muito tempo, o pterígio pode deixar cicatrizes na córnea que persistem mesmo após a remoção do tecido. Por isso, operar antes que a lesão atinja regiões críticas da córnea é uma estratégia importante para preservar a qualidade da visão. Essa é mais uma razão pela qual a avaliação periódica com o oftalmologista é fundamental para quem tem pterígio, permitindo acompanhar a progressão e definir o momento ideal da intervenção.

Vale ressaltar que a remoção do pterígio corrige a causa do astigmatismo induzido, mas nem sempre elimina completamente eventuais alterações refracionais preexistentes. A avaliação da sua visão como um todo, incluindo a necessidade de correção com óculos após a cirurgia, faz parte do planejamento e do acompanhamento cuidadoso do seu caso.

Qual a diferença entre pterígio e outras lesões da superfície ocular?

A superfície ocular pode desenvolver diferentes tipos de lesões, e diferenciá-las corretamente é essencial para o tratamento adequado. Como oftalmologista com fellowship em cirurgia plástica ocular, avalio não apenas o pterígio, mas também outras alterações da conjuntiva, da córnea e das pálpebras que podem se assemelhar ou coexistir com ele.

A pinguécula, como mencionei, é uma lesão amarelada limitada à conjuntiva. O calázio é um nódulo inflamatório da pálpebra, decorrente da obstrução de uma glândula, e nada tem a ver com o pterígio, embora também seja uma queixa frequente no consultório. Existem ainda lesões e tumores das pálpebras e da superfície ocular que exigem investigação cuidadosa, pois nem toda alteração visível é benigna. Qualquer lesão de crescimento atípico, com pigmentação irregular ou aspecto suspeito, merece avaliação especializada e, quando necessário, análise laboratorial do tecido removido.

Essa capacidade de distinguir e tratar as diversas condições da superfície ocular e das pálpebras dentro de uma avaliação integrada é o que oferece segurança ao paciente. Em vez de tratar apenas a queixa isolada, olho para o conjunto da sua saúde ocular, garantindo que nenhuma condição relevante passe despercebida.

Por que escolher uma cirurgiã plástica ocular para operar o pterígio?

A cirurgia de pterígio envolve o manejo delicado da conjuntiva, o mesmo tecido que trabalhamos diariamente nas cirurgias plásticas oculares. A experiência com reconstrução da superfície ocular, com o preparo e o posicionamento de enxertos e com o cuidado estético da região dos olhos agrega um refinamento técnico importante ao resultado.

Atuo em Belo Horizonte recebendo pacientes de toda a região metropolitana, incluindo bairros como Funcionários, Savassi, Lourdes, Santo Agostinho e Belvedere, além de pacientes encaminhados por colegas oftalmologistas do interior de Minas Gerais para avaliação de casos específicos. Optei por não atender por planos de saúde justamente para preservar o tempo necessário a uma consulta detalhada e a um acompanhamento próximo de cada paciente.

Meu compromisso é unir a excelência acadêmica à técnica cirúrgica refinada e a uma postura ética e conservadora nas indicações. Não opero por modismo nem prometo resultados idênticos para todos, porque cada olho é único. O que ofereço é uma avaliação honesta, uma técnica moderna com menor risco de recidiva e o acolhimento em todas as etapas da sua jornada cirúrgica.

Por que confiar neste conteúdo?

Este artigo foi elaborado com base em fontes científicas reconhecidas e revisado à luz da experiência clínica e cirúrgica em oftalmologia e cirurgia plástica ocular:

  • Diretrizes e publicações do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) sobre patologias da superfície ocular.
  • Recomendações da American Academy of Ophthalmology (AAO) referentes à etiologia, indicação cirúrgica e prevenção de recidiva do pterígio.
  • Orientações da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO) sobre técnicas de reconstrução da superfície ocular.
  • Estudos publicados em periódicos especializados, como o American Journal of Ophthalmology e o Ophthalmic Plastic and Reconstructive Surgery Journal, acerca do transplante autólogo de conjuntiva.

Este conteúdo foi revisado por mim, Dra. Taciana Bretas (CRM: 61889/MG RQE Nº: 49052), oftalmologista formada pela UFMG, com fellowship em Cirurgia Plástica Ocular pelo Instituto de Olhos da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais e preceptora do departamento de Plástica Ocular desde 2018, garantindo rigor científico e foco na preservação da sua saúde ocular.

Perguntas frequentes sobre a cirurgia de remoção de pterígio

Quanto tempo dura a cirurgia de pterígio?
O procedimento costuma ser relativamente rápido, realizado com anestesia local e em ambiente cirúrgico adequado. O tempo exato varia conforme o tamanho da lesão e a técnica de reconstrução empregada, sendo definido individualmente após a avaliação.

Preciso ficar internado após a cirurgia?
Não. A cirurgia de pterígio é feita em regime ambulatorial, e o paciente retorna para casa no mesmo dia, com um curativo protetor e orientações detalhadas de cuidados pós-operatórios.

Quando poderei voltar às atividades normais?
O retorno às atividades depende da cicatrização individual e do tipo de atividade. De modo geral, atividades leves são retomadas em poucos dias, enquanto exposição solar intensa, natação e esforços físicos exigem mais cautela e devem seguir a orientação individualizada.

A cirurgia deixa cicatriz visível no olho?
A área do enxerto de conjuntiva pode apresentar vermelhidão nas primeiras semanas, que tende a clarear progressivamente. A técnica com transplante de conjuntiva favorece um resultado esteticamente harmônico da superfície ocular.

É possível operar os dois olhos ao mesmo tempo?
Em geral, prioriza-se operar um olho de cada vez, permitindo a recuperação completa antes de considerar o segundo. Essa conduta é definida conforme a avaliação de cada caso.

Usar óculos de sol previne o pterígio?
Sim, a proteção contra a radiação ultravioleta com óculos de sol de qualidade é uma das medidas mais eficazes tanto para prevenir o surgimento do pterígio quanto para reduzir o risco de recidiva após a cirurgia.

Cuide da sua visão com segurança e naturalidade

A remoção de pterígio vai muito além de retirar um tecido incômodo do olho. Trata-se de uma decisão que envolve a preservação da sua visão, a escolha de uma técnica cirúrgica com menor risco de recidiva e o cuidado com a saúde ocular como um todo. Nenhuma cirurgia deveria ser indicada sem uma avaliação oftalmológica completa, e nenhum resultado seguro se constrói sem técnica refinada e acompanhamento próximo.

Se você convive com o desconforto do pterígio, percebe que ele está crescendo ou simplesmente deseja entender qual é a melhor conduta para o seu caso, convido você a agendar uma avaliação presencial em Belo Horizonte. Para pacientes que residem no interior de Minas Gerais, ofereço também a consulta de pré-operatório online, que adianta o processo cirúrgico sem abrir mão da avaliação presencial antes do procedimento. Cuidar dos seus olhos com profundidade técnica, ética e acolhimento é o compromisso que assumo com cada paciente.

Artigos relacionados