Compartilhe:
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Dra. Taciana Bretas CRM: 61889/MG RQE Nº: 49052 - Oftalmologista | Especialista em Cirurgia Plástica Ocular;

Sondagem de vias lacrimais: exame minucioso com oftalmologista

Índice

Você já sentiu o olho lacrimejar sem parar, ao ponto de precisar carregar um lenço o tempo todo e enxergar o mundo através de uma película embaçada? O olho que lacrimeja em excesso, a secreção que gruda os cílios pela manhã e o desconforto constante no canto interno dos olhos costumam ter uma origem precisa: a obstrução das vias lacrimais. Nesses casos, a sondagem de vias lacrimais é o procedimento que investiga e, muitas vezes, restabelece o caminho natural das lágrimas, mas ela nunca deve ser feita de forma isolada, sem antes um exame oftalmológico verdadeiramente minucioso que confirme o diagnóstico e afaste outras causas para o seu sintoma.

Eu compreendo o quanto esse incômodo interfere na sua rotina. Lacrimejar em uma reunião de trabalho, ao dirigir sob o sol ou diante de uma corrente de ar frio não é apenas um detalhe: é um sinal de que o sistema de drenagem das suas lágrimas pede atenção. A boa notícia é que existe caminho, e ele começa com uma avaliação criteriosa do olhar como um todo.

Por que o olho lacrimeja muito e quando investigar as vias lacrimais?

As lágrimas são produzidas continuamente para lubrificar, proteger e nutrir a superfície dos olhos. Depois de cumprir essa função, elas precisam ser drenadas. Esse escoamento acontece por um sistema delicado que começa nos pontos lacrimais (pequenos orifícios nas margens das pálpebras), segue pelos canalículos, chega ao saco lacrimal e desce pelo ducto nasolacrimal até a cavidade nasal. É por isso que, quando choramos, o nariz também escorre.

Quando qualquer ponto desse trajeto está obstruído ou estreitado, a lágrima não consegue escoar e transborda pela pálpebra, gerando o lacrimejamento constante que a medicina chama de epífora. Contudo, nem todo olho que lacrimeja tem uma obstrução mecânica. Paradoxalmente, uma das causas mais frequentes de lacrimejamento é o olho seco: quando a superfície ocular está irritada e desprotegida, o olho reage produzindo lágrimas de forma reflexa e desordenada. Também podem causar epífora as alterações na posição das pálpebras, o mau posicionamento dos cílios, as alergias e as inflamações crônicas.

Por essa razão, investigar a causa antes de qualquer intervenção é essencial. Realizar uma sondagem em um paciente cujo problema real é olho seco não resolve o sintoma e ainda expõe o sistema lacrimal a um procedimento desnecessário. O raciocínio diagnóstico correto é o que separa o tratamento eficaz da frustração de repetir procedimentos sem resultado.

O que é a sondagem de vias lacrimais e como o procedimento funciona?

A sondagem de vias lacrimais é um procedimento no qual uma sonda fina e delicada é introduzida pelos pontos lacrimais para percorrer o trajeto de drenagem, identificando o local exato de uma obstrução e, em determinados casos, desobstruindo o caminho. Ela pode ter finalidade diagnóstica, para localizar o ponto de bloqueio, ou terapêutica, para restabelecer o fluxo das lágrimas.

Em bebês e crianças pequenas, a obstrução congênita do ducto nasolacrimal é bastante comum e frequentemente se resolve com a sondagem, quando não regride de forma espontânea nos primeiros meses de vida. Nesses casos, o procedimento costuma ser realizado sob sedação, com técnica cuidadosa, e apresenta altas taxas de sucesso quando bem indicado.

Nos adultos, o cenário é diferente e exige ainda mais criteriosidade. A obstrução do sistema lacrimal em adultos costuma ter causas anatômicas, inflamatórias ou cicatriciais, e nem sempre a simples sondagem é suficiente para resolver o problema de forma definitiva. Em muitas situações, ela funciona como parte da investigação para definir se há indicação de uma cirurgia mais completa das vias lacrimais. Por isso, entender o que a sondagem pode e o que ela não pode oferecer evita expectativas equivocadas.

Antes da sondagem, costumo realizar testes complementares como a irrigação das vias lacrimais, que avalia se o líquido injetado pelos pontos lacrimais chega à garganta ou reflui, indicando o nível da obstrução. Esse conjunto de informações permite um planejamento seguro e individualizado, sem passos precipitados.

Por que um exame oftalmológico completo precisa vir antes da sondagem?

A pálpebra e o sistema lacrimal são estruturas nobres de proteção da visão, e o lacrimejamento pode ser apenas a ponta visível de um quadro mais amplo. Como oftalmologista, avalio o seu olhar de forma integral antes de indicar qualquer procedimento. Na consulta, realizo refração, biomicroscopia anterior, biomicroscopia de fundo, tonometria e mapeamento de retina, porque a mesma pessoa que lacrimeja pode ter, simultaneamente, olho seco, uma alteração na posição das pálpebras, uma catarata inicial, glaucoma ou uma inflamação crônica na superfície ocular.

Esse exame minucioso responde a perguntas fundamentais: o lacrimejamento vem de uma obstrução mecânica ou de uma reação reflexa da superfície ocular? Existe um entrópio, com a pálpebra virada para dentro e os cílios roçando o olho? Há um ectrópio, com a pálpebra afastada do globo ocular, impedindo o contato do ponto lacrimal com a lágrima? Há sinais de infecção no saco lacrimal, como o abaulamento e a saída de secreção ao pressionar o canto interno do olho? Somente com essas respostas é possível definir se o caminho é a sondagem, uma cirurgia palpebral, o tratamento clínico do olho seco ou uma cirurgia das vias lacrimais.

Considero a avaliação completa um ato de respeito ao paciente. Adianto exames, poupo tempo e evito que você seja submetido a um procedimento que não corresponde ao que o seu olho realmente precisa.

Sondagem não resolveu ou o problema é recorrente: quando indicar a dacriocistorrinostomia?

Em adultos com obstrução do ducto nasolacrimal já estabelecida, a sondagem isolada pode não ser suficiente, e o lacrimejamento tende a retornar. Nesses casos, o tratamento com maior taxa de sucesso é a dacriocistorrinostomia, uma cirurgia que cria uma nova comunicação entre o saco lacrimal e a cavidade nasal, contornando o ponto obstruído e restabelecendo o escoamento das lágrimas.

Esse procedimento pode ser realizado por via externa, com uma pequena incisão próxima ao canto interno do olho, ou por via endoscópica, por dentro do nariz, sem cicatriz na pele. A escolha da técnica depende de fatores anatômicos, da causa da obstrução e das características individuais de cada paciente, sempre discutidos de forma clara na consulta.

Uma indicação especialmente importante da dacriocistorrinostomia é a dacriocistite, a infecção do saco lacrimal que ocorre quando a lágrima fica estagnada em uma via obstruída. Além do lacrimejamento, ela provoca dor, vermelhidão e secreção purulenta no canto interno do olho, com risco de infecções recorrentes. Nessas situações, restabelecer a drenagem é fundamental para a saúde ocular, e não apenas para o conforto.

Ressalto que nenhum resultado é idêntico entre pacientes. A resposta a cada procedimento depende da causa da obstrução, da anatomia individual e do acompanhamento adequado. Meu compromisso é oferecer a técnica mais indicada para o seu caso, com honestidade sobre o que esperar de cada etapa.

Além da lágrima: como a posição das pálpebras influencia o lacrimejamento?

Nem sempre a solução para o olho que lacrimeja está dentro do sistema lacrimal. Muitas vezes, o problema começa na posição das pálpebras, que precisam estar perfeitamente ajustadas ao globo ocular para conduzir a lágrima até os pontos de drenagem.

No ectrópio, a pálpebra inferior se afasta do olho e o ponto lacrimal deixa de encostar na lágrima, que então transborda. No entrópio, a pálpebra vira para dentro e os cílios passam a roçar a córnea, causando irritação, lacrimejamento reflexo e risco de lesões. Já na triquíase, os cílios crescem em direção ao olho mesmo com a pálpebra em posição normal, ferindo a superfície ocular a cada piscada.

Essas alterações têm correção cirúrgica precisa, que reposiciona a pálpebra ou os cílios e devolve o equilíbrio da drenagem lacrimal. Em muitos casos, tratar a posição da pálpebra resolve o lacrimejamento sem necessidade de intervir diretamente nas vias lacrimais. É mais um motivo pelo qual a avaliação minuciosa de toda a região palpebral antecede qualquer decisão.

Toxina botulínica também trata o lacrimejamento e o espasmo dos olhos?

Sim, e essa é uma faceta funcional pouco conhecida da toxina botulínica. Em pacientes com epífora causada pelo hiperfuncionamento da glândula lacrimal, ou seja, uma produção exagerada de lágrimas, a aplicação criteriosa de toxina botulínica pode reduzir o excesso de secreção lacrimal e aliviar o lacrimejamento, especialmente quando a drenagem está preservada.

A toxina botulínica também tem papel consagrado no tratamento de distúrbios do movimento das pálpebras e da face. No blefaroespasmo essencial, em que ocorre o fechamento involuntário e repetido das pálpebras, e no espasmo hemifacial, em que metade do rosto apresenta contrações involuntárias, a aplicação bem indicada proporciona alívio significativo dos sintomas e melhora a qualidade de vida. Trata-se de um tratamento que exige conhecimento profundo da anatomia da mímica facial para ser preciso e seguro.

Naturalmente, o mesmo recurso é utilizado com finalidade estética, na miomodulação da mímica facial, para suavizar linhas de expressão da região dos olhos e da testa. Nesse contexto, minha abordagem é conservadora: o objetivo é preservar a naturalidade e a expressão do seu olhar, jamais congelá-lo ou alterar a sua identidade.

Olhar cansado e excesso de pele: onde entra a blefaroplastia nessa avaliação?

Muitas pessoas que me procuram por lacrimejamento ou desconforto acabam descobrindo, na mesma consulta, que o excesso de pele nas pálpebras superiores contribui para o olhar cansado e, em casos mais avançados, chega a atrapalhar o campo de visão. A blefaroplastia é a cirurgia que remove o excesso de pele e de bolsas de gordura das pálpebras, com finalidade funcional, estética ou ambas.

A blefaroplastia superior trata a pele que pesa sobre os olhos e o aspecto de cansaço permanente. A blefaroplastia inferior aborda as bolsas embaixo dos olhos que envelhecem o rosto. Quando indicada, a combinação de ambas harmoniza toda a região. Em casos de sobrancelhas caídas, o lifting de supercílio pode complementar o resultado, elevando de forma sutil a moldura do olhar.

Minha filosofia cirúrgica é clara: eliminar os ruídos de imagem que envelhecem o olhar, com cicatrizes bem posicionadas e resultados elegantes, sem exageros e sem transformar quem você é. Toda indicação de blefaroplastia parte da mesma avaliação oftalmológica completa, porque a saúde da córnea, a qualidade do filme lacrimal e o fechamento adequado das pálpebras precisam ser preservados após a cirurgia.

Pálpebra caída e outras patologias palpebrais: o que mais pode ser tratado?

A pálpebra superior caída, condição conhecida como ptose palpebral, ocorre quando o músculo responsável por elevar a pálpebra está enfraquecido ou mal posicionado. A ptose pode ser congênita ou adquirida ao longo da vida, e sua correção cirúrgica reposiciona a pálpebra na altura adequada, melhorando tanto o campo de visão quanto a simetria do olhar. É importante diferenciar a ptose verdadeira do simples excesso de pele, pois cada uma exige uma abordagem distinta.

Também trato lesões e tumores das pálpebras, que sempre merecem avaliação cuidadosa, além de condições como o calázio, aquele caroço persistente na pálpebra causado pela obstrução de uma glândula, e o pterígio, a membrana que cresce sobre a córnea, frequentemente associado à exposição solar. Em casos de retração palpebral, em que a pálpebra fica excessivamente aberta, e nas situações que exigem reconstrução palpebral após traumas ou remoção de lesões, a cirurgia plástica ocular devolve função e harmonia à região.

Recebo com frequência pacientes encaminhados por colegas oftalmologistas de diversas cidades para avaliação desses casos mais complexos, mantendo o médico assistente informado sobre a proposta terapêutica e acompanhando o paciente em conjunto. Essa integração é parte do meu compromisso ético com a continuidade do cuidado.

Moro no interior de Minas Gerais: como adiantar o processo cirúrgico?

Para pacientes que residem fora de Belo Horizonte e desejam adiantar o planejamento cirúrgico, ofereço a consulta de pré-operatório de blefaroplastia online. Nela, realizo a pré-avaliação do caso, apresento o orçamento, oriento a solicitação dos exames de risco cirúrgico e organizo o agendamento da data da cirurgia. Essa modalidade otimiza o deslocamento de quem vem de outras regiões de Minas Gerais.

Faço questão de destacar que a consulta online não substitui a avaliação presencial. O exame oftalmológico completo e a análise detalhada das pálpebras são realizados presencialmente, tradicionalmente na véspera do procedimento, garantindo segurança e precisão na decisão final. Dessa forma, você aproveita melhor o tempo sem abrir mão do rigor técnico que uma cirurgia no rosto exige.

Por que confiar neste conteúdo?

Este artigo foi elaborado com base nas diretrizes e no conhecimento científico das principais referências em oftalmologia e cirurgia plástica ocular, entre elas:

  • Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO);
  • Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO);
  • American Academy of Ophthalmology (AAO);
  • American Society of Ophthalmic Plastic and Reconstructive Surgery (ASOPRS);
  • Publicações científicas indexadas, como o Ophthalmic Plastic and Reconstructive Surgery Journal e o American Journal of Ophthalmology.

O conteúdo foi revisado por mim, Dra. Taciana Bretas (CRM: 61889/MG RQE Nº: 49052), oftalmologista formada pela UFMG, com fellowship em Cirurgia Plástica Ocular pelo Instituto de Olhos da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais e preceptora do departamento de Plástica Ocular desde 2018, garantindo rigor científico e foco na sua saúde ocular.

Perguntas frequentes sobre a sondagem de vias lacrimais

A sondagem de vias lacrimais dói? O procedimento é realizado com anestesia adequada ao contexto de cada paciente. Em crianças, costuma ser feito sob sedação; em adultos, com anestesia local ou conforme a técnica planejada. O desconforto costuma ser controlado e transitório.

A sondagem sempre resolve o lacrimejamento? Não. Em bebês, as taxas de sucesso são altas. Em adultos, a sondagem isolada pode não ser suficiente quando há obstrução estabelecida, e nesses casos a dacriocistorrinostomia costuma ser o tratamento mais eficaz. A definição depende da avaliação individual.

Todo olho que lacrimeja tem obstrução das vias lacrimais? Não. O lacrimejamento pode ser causado por olho seco, alterações na posição das pálpebras, cílios mal posicionados, alergias e inflamações. Por isso, o exame oftalmológico completo é indispensável antes de qualquer procedimento.

Posso resolver tudo em uma única consulta? A primeira consulta inclui exame oftalmológico completo, com refração, biomicroscopia, tonometria e mapeamento de retina, além da avaliação específica das pálpebras e das vias lacrimais. Isso permite definir o diagnóstico e o plano de tratamento de forma integrada.

A toxina botulínica pode piorar meu olho seco? A aplicação exige planejamento criterioso justamente para equilibrar produção e drenagem das lágrimas. Por isso, a avaliação prévia da superfície ocular é fundamental antes de qualquer indicação funcional ou estética.

O cuidado com o seu olhar começa por um diagnóstico correto

Conviver com o olho que lacrimeja, com secreção recorrente ou com o olhar pesado não precisa ser a sua rotina. Cada um desses sintomas tem uma origem que pode ser identificada e tratada, desde que a decisão seja construída sobre um diagnóstico preciso e sobre o respeito à saúde ocular. A sondagem de vias lacrimais, as cirurgias palpebrais, os procedimentos das vias lacrimais e a toxina botulínica funcional são ferramentas poderosas quando indicadas no momento certo e para o caso certo.

Se você deseja investigar o seu lacrimejamento com profundidade técnica e tranquilidade, agende a sua consulta presencial em Belo Horizonte para um exame minucioso e, quando indicado, o procedimento de sondagem de vias lacrimais. Para pacientes do interior de Minas Gerais, a consulta de pré-operatório online adianta o planejamento cirúrgico sem abrir mão da avaliação presencial. Cuidar do seu olhar com ética, ciência e naturalidade é o meu compromisso em cada etapa dessa jornada.

Artigos relacionados